Cateter Duplo J - O vilão mais bonzinho da história


"Vou precisar colocar aquele tal de cateter duplo J ?"

"Ah, não acredito! Meu amigo sofreu muito com esse tal de cateter duplo J"

"Não quero ficar de jeito nenhum com esse cateter de novo"

O que é o cateter duplo J ?

É um tubo fenestrado (cheio de furos) que enrola no rim, desce pelo canal chamado ureter até alcançar a bexiga onde enrola mais uma vez. Esse aspecto de "J" em cima e "J" em baixo justifica o apelido de cateter duplo J.

Para que serve ?

O objetivo do cateter é garantir que a urina produzida no rim alcance a bexiga. Garantindo o fluxo da urina conseguimos tratar a dor da cólica renal (causada pela distensão do rim obstruído) e auxiliar o combate à infecção "colocando as bactérias para fora".

Quando é preciso utilizar o cateter duplo J ?

Geralmente esse cateter é utilizado no tratamento da obstrução aguda do ureter. Essa obstrução na imensa maioria das vezes é causada por cálculos urinários.

Esse cateter só é utilizado no cenário de emergência e quando tem cálculo envolvido ?

Não. Alguns exemplos em que o cateter duplo J pode ser utilizado são:

• Tratamento conservador de lesões traumáticas ou cirúrgicas do ureter

• Garantir fácil identificação do ureter durante o procedimento cirúrgico voltado para outros órgãos como ovário, útero e intestino por exemplo

• Garantir a boa drenagem do rim em pacientes que sofrem de estenose de ureter como consequência de radioterapia da região pélvica

• Garantir a boa drenagem do rim em pacientes com tumores abdominais que comprimem o ureter

O paciente que tem um cateter duplo J pode levar uma vida normal ?

O cateter fica posicionado no interior do aparelho urinário e nenhum segmento fica exposto. Portanto, o paciente pode praticar exercício, frequentar piscinas, manter relações sexuais, ir ao trabalho, etc.

Mas porque alguns pacientes não podem nem ouvir falar nesse cateter?

A imensa maioria dos pacientes leva uma vida normal com o duplo J. Isso inclusive é uma grande preocupação dos urologistas que precisam ter um controle rígido e acompanhar esses pacientes. Por não sentir absolutamente nada, alguns pacientes desaparecem do consultório e, com isso, ficam expostos à graves consequências da permanência prolongada do dispositivo. O comum é o paciente sentir um desconforto lombar leve, suportável sem medicamentos e que piora momentaneamente durante o inicio da micção e melhora a medida que a urina é eliminada.

Só isso ? O cateter duplo J tão temido causa apenas um desconforto que nem precisa de remédio?

Não é bem assim. A maioria dos pacientes não sente nada e quando sentem é algo bem suportável e contornável. No entanto, outros sintomas relacionados ao cateter podem ser:

• Leve sangramento na urina enquanto o cateter estiver presente

• Aumento do desejo de ir ao banheiro (sintoma semelhante à cistite)

• Desconforto que pode ir da região lombar ao testículo do lado do cateter e à glande nos homens. Nas mulheres pode haver desconforto vaginal

Mas, infelizmente, alguns pacientes não suportam a presença do cateter. Vomitam, ficam nauseados e sofrem de dores que não melhoram com a medicação a ponto de determinar a sua retirada precoce.

Mas se o cateter foi colocado com um propósito sua retirada por causa dos sintomas não é arriscada ?

Sim. Na medicina nada é 100%. Devemos sempre pesar riscos X benefícios. Caso o cateter não seja suportado pelo paciente, a sua retirada (ou troca) pode ser realizadas pesando muito bem as consequências. Essa decisão deve ser muito bem compreendida pelo paciente que deve estar 100% ciente das possíveis consequências. Quando sabidamente não vai acontecer uma boa drenagem do rim sem o cateter, podemos recorrer à outras formas de drenagem como a nefrostomia por exemplo (tema de outro post).

O que pode acontecer com o paciente que fica muito tempo com o cateter duplo J ?

Essa é uma questão muito importante. O cateter duplo J tem um papel bem determinado e a sua retirada deve ser programada para o mais breve possível. Apesar da maioria dos bons cateteres disponíveis no mercado terem em suas especificações técnicas a possibilidade de permanecerem por 1 ano no paciente, não é isso o que costumamos ver no dia a dia. O cateter duplo J que permanece por muito tempo (vários meses) está colocando seu usuário em risco de desenvolver graves incrustações e infecções que podem culminar na perda funcional do rim.

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Esse post foi confeccionado por mim seguindo as orientações encontradas em literatura médica urológica (campbell), utilizando conceitos e orientações de artigos em pesquisa (Cochrane) e pesquisa em guidelines AUA, EAU, RNIB, BAUS). Não é um artigo científico, não tem a pretensão de substituir consulta médica e tem caráter apenas elucidativo para quem busca maiores informações sobre o tema - Daniel Hampl

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